terça-feira, 6 de junho de 2017

SEM MAIS

A rua é de todo mundo. Tá liberado todo mundo bater calçadas, rodar pneus, atritar borracha com concreto, olhar caminhos, vislumbrar encontros, objetivar o dia, favoritar a sua rua mais bonita.

Zanzo eu, zanzas tu, zanzamos nós, tá tudo certo, só o que não tem cabimento é gente que não tem nada além das ruas, que neste caso nem suas são.

Mas não é a questão hoje, não. Quem se importa quando a sua cama tá lá, sua comida tá lá, sua enorme televisão de trocentas polegadas de enganação tá lá, tudo te esperando em algum endereço fixo, rua tal, número tal...

Né, não... Senão, pensa.

Mas o que me vem ao caso agora é uma questão bem menor. Mimimi de blog. Qualquer coisa sobre as ruas, as  milhares de gentes nas ruas, onde ninguém é ninguém no meio da zona tona, e assim seguem os dias, a gente na rua, mas na segurança dos nossos pequenos guetos.

As ruas não são seguras. Estranhos, até segunda ordem são estranhos, e todo mundo é anônimo nas ruas da vida. E nesta condição, não tem chegança não.

A gente vê nos comerciais de televisão as ruas bonitas, as galera se esbarrando, trocando sorriso, encontros românticos, não sei que lá de a vida é bela, só que a vida não é bela, estranho é estranho, e a gente tem que estabelecer distâncias.

Não é uma postura legal. Eu sei. Não é bonito. Não é cordial, mas não fui eu quem inventou as psicopatias, as sociopatias, os maníacos, os inconvenientes, nem nada disso, e rua puxa rua, e nos deparamos com as ruas virtuais.

Ruas. Tão públicas e inseguras quanto. Toda essa volta, já que o mundo dá voltas sem parar, para dizer, finalmente, que AS COISAS ESCRITAS AQUI são de cunho pessoal, não dedicados à ninguém, um passeio muito específico, feito como quando você decide dar uma volta na rua, mas nem por isso signifique que você está à cata, à procura, querendo alguma coisa que não seja zanzar. Solamente.


Muitos equívocos acontecem quando a gente dá trela pra estranho. Na rua. E no virtual. Então, anônimos com conversa mole pra boi dormir não serão vistos de outra forma que não ANÔNIMOS, o tempo passa, a gente amadurece um pouco e descobre à duras penas que se preservar é preciso, e que quem esconde algo, esconde por suas razões, mas a gente não é obrigada a se relacionar com.

( ah!, mas o que você está fazendo num blog, escrevendo coisas e tals, você pode perguntar, e eu vou simplesmente responder: _ assim como é permitido a gente sair à rua bater perna sem ter que dar trela pra ninguém, assim penso sobre escrever baboseiras aqui.  É PERMITIDO. COMBINADO.)

Sem mais por hoje. BOA NOITE às estrelas.


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